Papai-mamãe (esse era o nome do meu primeiro blog, natimorto, em resumo, pra lá de 2010 as infos)

Em quase breve site novo para lançamento do cd…

Enquanto isso,

infos de agenda estão sendo postadas no Twitter

(http://twitter.com/michelmelamed)

e Facebook, okokó?

Abraços,

m


OBS.: Meu twitter apesar de bissexto é @michelmelamed. O outro com underline (@michel_melamed) nem sósia do clone do meu xará é.

Íntegra da entrevista publicada hoje no O Globo (por ocasião da Semana extra do Regurgitofagia no SESC Ginástico dias 16, 17, 18 e 19 de julho de 2010 (Foto Gui Maia)):

1)      Conte o processo de criação da Trilogia.

Trata-se de uma Trilogia porque todos os espetáculos foram desenvolvidos sobre os seguintes conceitos: a pesquisa de linguagem quanto aos limites da participação do público no espetáculo, então a contracenação entre ator e “espectator”, autor e “espectautor”;  a integração de linguagens artísticas (teatro, performance, música, poesia falada, tecnologia, stand-up comedy, etc.); e a afirmação do teatro e da obra de arte como o espaço por excelência do livre-pensar, então sua função política… Mas cada espetáculo teve um processo bem diferente. Essa é a graça e o desespero, né? Porém, sendo um pouco mais rigoroso na resposta, vejo que os três começaram na página em branco, com os textos e idéias. Mas é na sala de ensaio que o encantamento acontece…

2)      Regurgitofagia já foi escrita tendo em vista uma continuação?

Não e mesmo Regurgitofagia surgiu primeiro como livro. Depois, através da Bolsa Rioarte é que o espetáculo começou a nascer (acho importante lembrar que esta Bolsa não existe mais assim como a Vitae, enfim, o que acaba empobrecendo a produção que fica confinada a um só modelo de realização, quando muito trabalhos precisam do tempo da pesquisa e não só o do patrocínio…). Depois de alguns meses em cartaz com o Regurgitofagia, sentei-me para checar os alfarrábios e percebi que tinha algumas idéias do que se convencionou chamar de monólogos e que justamente sobre isso é que elas se insurgiam: espetáculos apresentados com um só ator, mas em diálogo constante com o público. Ninguém chama voz e violão de monólogo. O tripé conceitual já estava visível ali. Daí selecionei duas das idéias, convidei as pessoas queridas e nasceu a trilogia.

3)      O que mudou na sua vida desde aquela estréia em 2004?

Tudo. Seja porque a mudança é uma justa semente da saúde, seja porque apesar de já trabalhar como artista há alguns anos, Regurgitofagia foi um trabalho que alcançou certa repercussão, as pessoas passaram a me conhecer e, principalmente, a consolidação de idéias e parcerias (Bianca de Felippes, Alessandra Colasanti, Adriana Ortiz, Luiza Marcier e Estúdio Radiográfico…).

4)      Os outros dois espetáculos, na sua opinião, ficaram a altura do primeiro?

Não sou funcionário, o compromisso é exclusivamente com a criação de um trabalho artístico. Na estréia de todos eles, o sentimento era de tocar o bumbo na praça e dizer venham todos. Eles são exatamente o que queriamos fazer. E apaixonadamente. Agora, é natural que as pessoas tenham as suas preferências, mas este é um segundo momento. Não fazemos o trabalho premeditando se o público vai gostar ou não, como se fosse um produto na prateleira do supermercado, o que não significa não querer que pessoas gostem, ao contrário, depois de pronto o sonho é encontrar eco, afeto, que as pessoas se identifiquem, se encantem também. E tem a questão da crítica, que apesar de certas atitudes não muito dignas, essa coisa de ficar batendo nas pessoas, mas, enfim, me interessa. Acredito na reflexão aprofundada, criativa, que multiplica e revela a obra.

5)      O aumento da porção musical é uma tendência definitiva no seu trabalho?

Tendência definitiva? Olha que eu volto pra primeira pergunta… Mas o próximo projeto é só musical sim. Estamos gravando um CD (produzido pelo Lucas Marcier) e faremos o show. Imagino o Homemúsica como uma ponte entre estes universos, a pesquisa era sobre isso mesmo, da palavra falada para a palavra cantada. Então me reencontrei com a música e os músicos. Lembro quando menino passar dias inteiros inventando músicas e como ficava feliz… É muito curioso no “Homemúsica” viver esta experiência das duas cenas, a teatral com tantos conflitos e a musical de congraçamento, festa. Mas não quer dizer que o conflito seja ruim, ao contrário, é a condição primeira mesmo. Então o teatro é uma necessidade. Quero fazer um novo trabalho com outros atores em cena.

6)      O que levou a reunir este trabalho nesta temporada?

É uma idéia que sempre esteve presente, na conclusão da Trilogia apresentar todos os espetáculos em sequência. Então surgiu o convite do SESC… Também me soa como uma conclusão e essa chance de poder se olhar através deles, que se alternam entre espelhos e quadros, daí se perceber tão diferente, pode se olhar nos olhos…

7)      Como você sente a reação do público? Imagino que devam existir fãs de longa estrada, aqueles que você inclusive já conhece e reconhece na platéia..

Essa é uma das coisas que mais me tocou nesta temporada da Trilogia. Apesar de ser fã de muitas pessoas e artistas, sempre tive certa desconfiança com esta idéia, até porque é muito comum que qualquer pessoa que apareça na Tv tenha alguém pedindo para tirar um foto. Mas dessa vez senti completamente diferente. O público dos espetáculos são pessoas realmente interessadas no trabalho, que conhecem, gostam e discutem. Conversei com muita gente sobre arte, o Brasil… Enfim, fiquei muito tocado com a delicadeza e a inteligência dessas pessoas. Foi uma grande surpresa a recepção que tivemos. Me sinto grato e orgulhoso.

8)      A participação dos espectadores é fundamental, não? Qual a que você guarda com mais carinho e qual realmente te incomodou?

Sim, a participação do espectador é fundamental. Mas agora que a Trilogia se concluiu, meu interesse mudou e vejo isto de outra forma. A participação ativa não é mais ou menos fundamental que qualquer outra. A questão é que a fruição pode se dar de várias maneiras e como no “Princípio de Heisenberg” é o observador que muda a obra, é o espectador com a sua formação, sua disponibilidade afetiva, intelectual, que constrói aquilo ali. No final, acho que é uma pororoca de criatividades.

9)      Como foi apresentar estes espetáculos no exterior?

Foram experiências maravilhosas, transformadoras, um grande aprendizado. Nova York particularmente foi uma cidade que acolheu os trabalhos de forma generosa e há quatro anos que fazemos coisas por lá. Mas não acredito, ao menos para este trabalho da Trilogia, alguma diferença prévia entre as cidades. Quer dizer, você pode fazer um espetáculo de puríssima magia ou incinerante frieza, seja em Nova York ou Nova Iguaçu. Como é teatro, ritual, a coisa toda da presentificação, tudo depende da alquimia das noites.

10)   Existe uma possível tetralogia no horizonte?

Uma quarta parte para este trabalho? Não… Quer dizer, de alguma forma já aconteceu. Apresentamos, ao invés do “Dinheiro Grátis” que era a segunda parte, o “Anti-Dinheiro Grátis”, mas vejo mais como uma coda, epílogo da Trilogia, do que quarta parte. Uma pedra no caminho. Mas tenho uma idéia para outra Trilogia… Quiçá então Tetralogia…

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20 Respostas para “Papai-mamãe (esse era o nome do meu primeiro blog, natimorto, em resumo, pra lá de 2010 as infos)

  1. E essa outra idéia??? Essa outra trilogia ou tetralogia??? Rsrsrsrs Será que dá para sair do papel… do computador… do platônico??? Rsrsrs… dá pra ser aristotélico??? Grego??? Russo??? Judeu??? Sei lá… de carne e osso??? ahahahahahahhrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr não tô agüentando… vou gritar…!!!!?!?

  2. eu gosto do seu trabalho (tooooodos os dois que conheço, na TV). Adorei o Dom Casmurro, aquela música até hj me encanta… ai ai….
    E este, este….. não entendo metade – bem como entendo muito pouco suas postagens, rs – mas nao sei o que há, mas é bom, prende minha atenção…e eu curto demais, ambos! A Lívia aqui não é de poesia, é de ciência! Mas vai lá saber pq me agrada tanto….

  3. Boa noite Michel. Sou aluno da USP e um grande fã, da
    ascendência desta sua bela e promissora carrera.
    Venho apenas para lhe parabenizar por seu trabalho e,
    sem demagogia de qualquer espécie, por este lado excêntrico
    de suas obras, o que denotam também, um reflexo bastante peculiar,
    da própria sociedade em meio a tanta, coisa, tanta informação que
    neste caos de palavras e de gestos, devemos apenas nos agraciar
    daquilo que nos engrandece como pessoas civilizadas e por vezes mentirosas
    e grandes negadoras da grande verdade. Quem realmente somos! O que me
    toma em sua obra é que me parece, que você põe muito de você nela.O que na minha opinião, vem faltando por todas estas mídias “ditas” artísticas, os rostos de seus autores.

    Parabéns!

  4. Cara, maravilhoso o trabalho que você está fazendo, tanto agora ,quanto em CAPITU, você pra mim está inserido na desvanecida elite de atores brasileiros.

  5. Ola …
    Você é um otimo ator ..
    adoro seus trabalhos ..
    Parabéns .

  6. ei michel … adoro td o que faz … as vz entendo … outras fico a pensar … outras me levam para lugares nunca desvendados … parabéns!!! … que bom termos vc!!

  7. Na verdade pesquuisei na internet sobre vc, assistindo o seriado (Afinal, o que querem as mullheres?) tive a sensação q já havia visto algum trabalho seu, e devido a maquiagem demorei muito p ligar vc ao personagem do Dom Casmurro de Capitu. tive que vir aqui falar sobre o brilhante ator que és, fiquei muito impressionada com sua atuação em Capitu e agora vejo você dar um verdadeiro show no personagem André, admiro muito seu trabalho, difícil ver atores que se expressam e passam sentimentos tão bem quanto vc, espero q faça mais trabalhos televisivos… obrigada por expressar tanto talento para nós telespectadores!!! Ass. Uma grande fã!!!

  8. Ainda estou encantada, desde Capitu .

  9. você é um excelente ator, parabéns pelo grande bentinho que interpretou em Capitu e pelo escritor que interpreta em Afinal, o que querem as mulheres. Admiro muito seu trabalho e fico de olho na telinha quando passa sua minissérie. Talento nato, atores com esse dom de transparecer os sentimentos é difícil, desejo muito sucesso de todo coração!!!! se puder me siga no twiiter @saalles

  10. Falando sério, você é o ator que melhor interpreta papéis, e o interessante é que todos que você interpreta são extremamente difíceis de fazer. Eu uma vez tive que interpretar um poema do Padre Fábio “o caderno”, me espelhei em você, na seriedade com que realiza os papeis propostos e os domina bem. Mas quero dizer que você é um ÓTIMO ator e que está em um dos meus poemas… não posso falar mais, mas quando ele estiver totalmente pronto envio para você por email ok? espero que leia, você está sendo um ótimo professor de interpretação para mim!!!
    Au revoir!!!!!

  11. “Nossa , não consegui parar de olhar para você, tudo em ti é pura sensibilidade, seu olhar é profundo e consigo perceber quão antiga e sábia é sua alma, sua personalidade é forte , mas tão sensivel são seus gestos!, não imagino você em um mundo real, desse nosso, tão mesquinho”

  12. Todo o deslumbramento que guardo desde Capitu,tem se manifestado em cada palavra dita por você em Afinal,o que querem as mulheres,palavras essas que são emitidas por um ator tão intenso,quanto talentoso.Parabéns,e obrigada por esporadicamente nos dar o ar da sua graça e talento!
    SUCESSO!

  13. Todo o deslumbramento que guardo desde Capitu,tem se manifestado a cada palavra dita por você em Afinal,o que querem as mulheres,palavras essas vindas de um ator tão intenso, quanto talentoso! Parabéns,e o obrigada por esporadicamente nos dar o ar da sua graça e talento!
    SUCESSO!

  14. Esse trecho acima citado é de um texto que escrevi que se chama os Mares Perdidos de Peixes, que fiz para alguns homens importantes em minha vida que possuem esse signo tão misterioso, espero que goste , pois acredito que se existir algumas personificações de peixes com certeza você é uma delas.

  15. Olá Michel, achei seu blog, e estou muito feliz, desde que a mini série Afinal… Acabou eu me sinto intelectualmente orfã. Quando lí seus post antes de chegar até aqui, já estava encantada com sua sensibilidade singular de falar de sí mesmo, e não se expôr, de nos convocar a um pensamento mais profundo sobre os assuntos sem agredir. Sua poesia me inspira, seu talento me atrai para a frente da TV, ou para um teatro onde possa encontrar você.
    Espero um dia ter o privilégio de assistir uma peça sua.
    Um grande abraço! Deus te abençoe muito!

  16. você já sabe? eu já disse alguma vez? ou em algum lugar?:

    tenho delírio pela ‘trilogia brasileira’… pelo livro… pelo cd… etc.. etc… etc…

    prometi… cumprindo…

  17. ‘olha que lindo’ (algo de machado de assis rsrsrsrsrs) binômio :
    puríssima magia e incinerante frieza

  18. Michel, parabéns pelo seu trabalho, cara! Acompanhos desde a epóca da TVE, e curto bastante suas postagens no blog. A cada postagem dá pra ver que tem um pedaço de vc contido nas palavras. Essa excentricidade intrínseca detona algo unico.

    Parabéns!

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