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como eu revejo a moda….

Revista Joyce mar13

por acaso

Me pediram essa entrevista no meio do ano passado. Nunca mais ouvi falar e hoje encontrei nos meus alfarrábios. Carnaval tá chegando, já quero ser outra pessoa e quase não acho mais nada disso. Assim, cá foi. 
Ps: Tinha uma parte sobre Bakhtin e carnavalização que não achei e nem sei. Tsc.
 
Por que o nome Adeus à Carne ou Go to Brazil?
Uma das suposições para a palavra “Carnaval” é que ela viria do latim “carne vale”, o que quer dizer “adeus à carne”, a festa da carne que precede a quaresma na tradição católica… Sendo que o carnaval teria nascido na grécia antiga… Então a escolha do nome deve-se ao ponto de partida do espetáculo, que é o encantamento pelo carnaval e, então, o desejo de usar alguns dos procedimentos dos desfiles das escolas de samba em um palco italiano. Experimentar mais entre as fronteiras destes teatros, porque carnaval é teatro… E meu achismo é que o tráfego entre o carnaval e a música popular, o carnaval e o cinema, por exemplo, é mais intenso do que com o teatro propriamente dito, o espaço físico e os códigos – excetuando casos pontuais e brilhantes como do Zé Celso e o Teatro Oficina e o Amir Haddad, por exemplo. Mas hoje, esta despedida da carne me faz pensar mais na quase ausência de texto do espetáculo, sendo as palavras de alguma maneira a “carne” dos espetáculos anteriores… “Go To Brazil” é um convite para enxergar o desafio diário dos brasileiros de extrair delicadeza da brutalidade, de ter boa-fé no mar de máfias, de fantasiar, enfim, quando não falta quarta de cinzas…
A revista Veja citou a peça Adeus à Carne como uma comédia dramática. Concorda com a definição/classificação?
Concordo que a peça tem como aspecto mais importante estimular a fantasia de quem assiste para que cada um desfile a sua própria fantasia e assim estimule a fantasia de outros… Então qualquer definição sobre o espetáculo me parece verdadeira. Estes dias pensei em “espelhotáculo”. Porque não é raro uma mesma cena ser descrita por pessoas diferentes como engraçada ou triste. Gosto da definição porque é o que buscamos mesmo, em vários sentidos, esta contradição, a oposição de forças, diferenças, conflitos, os oxímoros… Vale ainda lembrar que é uma conquista recente, porque nos trabalhos anteriores, também nestas fronteiras, insistiam para uma definição entre comédia e drama… A própria Vejinha pedia. Então por mais que as classificações sejam simplistas, neste caso, é uma boa síntese. Rir de tanto chorar, chorar de tanto rir…
A opção por não se utilizar da linguagem falada faz parte da sua crítica à sociedade? Se sim, como? Se não, o que o não dizer quer dizer?
A opção em parte é por falta de opção, quer dizer, a opção é um desejo, uma necessidade, uma paixão. A urgência de dizer pode se tranformar num grito e a impossibilidade do grito em um espamo. Então o “silêncio” se impôs ou melhor: a potência de cada acontecimento cênico, cada sinal, como diria Artaud, os corpos e expressões dos atores, a luz, a música, a cenografia, figurino, enfim, tudo tornou-se tão pródigo de interpretações que em algum momento a palavra propriamente dita parecia apenas sublinhar, quando não limitar os discursos. De outro modo, também há uma exaustão da palavra, esse cansaço do falatório geral e ininterrupto e eu já “regurgitofagizei” muito… Pois como você bem disse, tudo diz algo. Não dizer é dizer também, muitas vezes muito. Silêncio é música. E o que é dito é dependente da interpretação, generosidade, sensibilidade, criação, do bom humor e desespero de quem ouve, tanto ou mais do que de quem diz. E foi mesmo desesperador inventar que não haveria texto… Sendo que o desespero é alguma certeza de estar no caminho, porque a única resposta possível pra ele é a completa entrega, a paixão. E o bom humor e a poesia. Sempre que impossível.
Seu trabalho costuma carregar sempre um tom provocativo. O que você quer provocar?
A mudança do mundo. Porque acredito que provocando a criatividade, o olhar, a maneira única que cada um de nós tem de perceber, sentir, pensar, viver, o mundo será reinventado por todos incessantemente. Porque as coisas não são imutáveis, ao contrário, tudo afeta tudo e atravessa todos… Apesar de que “provocar” é estabelecer uma tensão para este convite…. Então pode ser provocar sim, mas pode ser também convidar, instigar, seduzir, estimular… A imaginação. O desejo é provocar desejos.
 
Para quem ainda não assistiu, o que se pode esperar da sua peça?
A si mesmo.

Ex-Adeus à Carne

Muitos homens tem por hábito o batismo de seus membros. Ouve-se falar de Bráulio, Adão, Zecão, Toddy e Menelau; Adamastor, /12 e Deus; há mesmo os inomináveis e os improferíveis. Mas havia uma estranha confraria onde o gênero da alcunha é que se destacava: Maria, Margarida, Madalena; Solange, Flávia, Paula, Ana Cristina… Aquela turma, diferente de tantas outras que desde a mais tenra idade compartilham ruas, deu para batizar seus falos com nomes femininos.

O interessante é que este fenômeno gerou outro tão ou mais curioso: proliferaram na cidade vaginas Fabão, xoxotas Carlinhos, xerecas Zé.

Um dia, João, que batizara seu pau de Maria conheceu uma Maria que batizara sua vagina de João. Outro dia, um Marcelo que batizara sua pica de Martinha conheceu uma Martinha que batizara sua boceta de André. E um André que batizara de Antonia e esta de Adolfo e ele de Ana, ela de Laura, então de Pablo e Marieta e Felipe e Matheus e assim por toda a cidade se alastrou a praga. Benigna. Porque nenhum amante jamais foi flagrado ao se ouvirem suspiros por detrás da porta. Quando muito, o ridículo do ciúme ao antever o marido, eu, por exemplo, com uma Carla: quem é essa zinha?!?! Cadê a vagabunda!?!? E o coitado aqui apenas tocando uma punheta…

https://www.facebook.com/adeusacarne

Tema para redação (a redação toda do jornalão): FLANELINHA DE PEDESTRE

O flanelinha de pedestre é a mais nova sensação da capital excultural(sac). Agora você não ficará jamais nunquinha zunindo por aí sozinho ou sozinha. Em nenhuma opção na contramão molhada do guarda-vidas, uma vaga aqui outra acolá no vaivem dos teus quadríceps.

“Melhor só” ficava a sua avó. E mesmo Jobim muito antes de escombros de aeroporto já grafitava com carvão nas grutas do Porcão que “é impossível estacionar feliz sozinho”.

Em Resumo (o Rei dos Rárbaros), com o “Flanelinha de Pedestre” – agora de posse do seu cartão de crédito de apresentação gravado em ouro derretido de dentição – cada passo teu será devidamente acompanhado, orientado, mais para a direita, vira, mais para a esquerda, vira-vira, desfaz, desfaz, tá bom, tá bom e taxado pois então pelo acumpadrado de plantão – em cervejinhas (ou vai quererá andar com um talão metido encimesmado na meiuca das fuças?!).

Também não há verás o que discutir, diz incutir, desencavar a constituição do Ceilão, mandar chamar com quem sabe com quem não está arfando, carteirada terceiro dan, nada nadinha nadão, sob pena do Pindorama Talião: os pneus furados (novíssima e gratuita lipo?!), além da já tradicional arranhadura na lataria.

Resumo d’ópera (aos que não sabem, os mais jovens e/ ou os mais velhos, “ópera” é o chocolate branco da caixa de bombons da Garoto): com tanta lata (as nossas e as das geladinhas) uma boa reciclada isso tudo gerará. E haverá palavra melhor para terminar esta redação? Não! Gerará e ponto. Ok: e viva o FLANELINHA DE PEDESTRE (agora já em versão garrafal também, além da “pescoço-longo”), que alumiará a pátria com tanto alumínio! O XIXI É NOSSO!

oh ps:

Óz txts deste vosso Oldmann continuam lalarilalá. Como publicaricatos non foram, fica aqui o dique:

http://afinaloquequeremasmulheres.globo.com/platb/andrenewmann/

Dramaturgia (enfia no blog da tua mãe)

O comentarista sem assunto não é um defunto. Ao contrário, zela por sua escassez como se fosse ele próprio o (foda-se) vazio que deveras severas contém. O que em si só sus e enormemente já bastaria dever como bastião sagrado do prazer em pólen de suas polêmicas, mas, não: suas poleminhocas, tuas polemelecas, nuas polemicadas, estão para todo o nunca assim confinadas enfadonhas nas fronhas confiadas de maneira que nem mesmo a metafísica se meterá em seu físico. Hip hop ufa!

Vamos então ao que não interessa. O comentarista sem assunto não é um único moribundo nem olhe lá, Oxalá! Não está nauseabundo como um marinheiro adunco de um livro-filme sem escalas. Nem frequenta a quimbanda. Está, por assim dizer, deixe-me ver, como quem bebe uma fanta. Pronto. Entendeu-se?

Vamos ao que estressa. O comentarista sem assunto é na verdade verdadeira da mentira derradeira um artista. É só dar na vidinha da vista adventista que la estalará: a obra completa de sua dieta. Não fala por falta de phalo ou ausência de fi-lo. Cala-se pois ainda não encontrou tema que lhe valesse a trema – mesmo que esta já nada valha a navalha, e, primordialmente, a esmo que Kafka já o tenha malcriado e melhor vestido.

Em resumo, em nome de nada deixem o comentartista sem assunto tonto astuto em paz em sua eterna sagaz escada. Pois não sobe nem desce e se não cai, não amortece. Ostenta o nome como um título bramido sem memoriabilia monorca, a orca listrada amestrada amedrontada de amêndoas manhosas rosas. E esta bela bosta balé basta: é um comentarista e ponto odontológico, é claro raro ralo. Um comerciante do som distante de um tamanco na vitela da vazia viela sob nó noturno. Ou mesmo o som imundo dum coturno dê dia. Mesmo que seu único comentário seja feito pelos outros e assim escreva-se “Espanto”.

“À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” #adeusacarne

Pesquei de uma matéria no jornal que “no Brasil, corretores afirmam que o máximo que uma pessoa pode tentar fazer de seguro é no valor de R$ 350 mil”. Talvez e muito provavelmente o Brasil não seja das melhores referências sobre o valor de uma vida, mas, como tampouco o mundo todo o é, tornou-se-me-ê impossível não vir às vias de fato: R$ 350.000, 00 multiplicados por 7 bilhões (população mundial estimada), sim, Consumidoras e Consumidores, temos finalmente – para a alegria geral dá no couro – o valor total, o preço final da humanidade: R$ 2.450.000.000.000.000, 00.

Antes que alguém – ou algo – se habilite, e pipoquem flashes e contrapropostas, a título de uma melhor apreciação do produto e sua respectiva cotação, pesemos os seguintes: quanto por todas as empresas? Um lance pelos estados nacionais? Só o facebook já vale 7 bilhões?!

Assim, de posse de alguns poucos, mas preciosos dados, creio que não tardará a conclusão de que na mercearia da vida, na bodega Mundão, a pechincha, em liquidação, queima total… Nós! Enquanto durar, ou melhor, resistir, o estoque.

Aos que acreditam que a vida, a justiça, ética, dignidade e outras quinquilharias mais não têm preço, resta um consolo: que custa entre R$ 35, 00 e R$ 400, oo em qualquer Sex Shop, o que corresponde a 0, 01% do nosso valor unitário. Em outras palavras: menos que um dedo médio ereto.